O site do spa de Sophia Brodsky na Filadélfia, chamado Body Klinic, era bastante rudimentar até que um universitário procurou a empresa, pouco mais de dois anos atrás, com uma oferta irresistível.
Brodsky conta que o universitário, Nathanel Stevens, se ofereceu para reformular seu site existente por US$ 10, prometendo aumentar a clientela de sua empresa. Caso ele conseguisse sucesso, receberia mais dinheiro, combinaram os dois. Brodsky, uma imigrante russa que sabe mais sobre cremes faciais do que sobre a Internet, achou que valia a pena tentar.
Agora ela controla três sites e estima que lhe tenham propiciado negócios de milhares de dólares. “Pessoas visitam os meus sites todos os dias”, ela afirma.
Mas proprietários de pequenas empresas que tenham uma presença na Internet, como a de Brodsky, continuam a ser minoria. Na primeira pesquisa que conduziu sobre sites de pequenas empresas, em abril do ano passado, a Jupiter Research descobriu que apenas 36% das empresas com menos de 100 funcionários tinham presença na Internet.
Mas a Internet, bem como os blogs e sites de redes sociais, estão começando a ganhar popularidade como forma de conquistar clientes, nesse segmento. O Kelsey Group, que se especializa em pesquisas de mercado, estima que a receita de vendas propiciadas por listas de Internet, buscas por empresas locais e buscas em aparelhos de comunicação sem fio vá crescer a US$ 13 bilhões, em 2010, ante US$ 3,4 bilhões, em 2005. Os proprietários de pequenas empresas que se aventuram online dizem que a experiência em geral vale a pena, ainda que a curva de aprendizado possa ser trabalhosa. Reconhecendo o fato, empresas de publicidade online com nomes como Yodle, Weblistic, WebVisible e ReachLocal estão surgindo para ajudar a administrar esses sites.
A web não estava nos pensamentos de Brodsky quando ela investiu US$ 165 mil em um salão de beleza e spa que faturava US$ 6 mil por semana, na área de Rittenhouse Square, em Filadélfia. O estabelecimento nem mesmo dispunha de computadores, na época, e sua equipe de sete funcionários não havia sido treinada devidamente para atender a clientela mais sofisticada a que ela aspirava.
Os especialistas em geral aconselham proprietários de pequenas empresas a nem estabelecer uma presença na Internet a menos que tenham tempo de mantê-la atualizada. Jean A. Pratt, professora assistente de sistemas de informação da Universidade do Wisconsin em Eau Claire disse que “se alguém opta por não manter um site, está prejudicando seu negócio, porque os concorrentes não hesitam em tornar os sites deles parte de sua estratégia de marketing”. Mas um site estático pode prejudicar a credibilidade de um negócio.
Jody DeVere, presidente da askpatty.com, um site que oferece conselhos sobre automóveis a mulheres, criado em 2006, disse que estava determinada a não permitir que isso acontecesse, quando estava desenvolvendo o site. Para evitar os honorários de entre US$ 50 e US$ 200 por hora de um designer de sites, ela passou semanas aprendendo a manter um blog, o que incluía postar artigos e registrar corretamente seus posts.
Para avaliar a efetividade do site, ela recorreu a um grupo de 20 mulheres, entre as quais sua filha e suas duas noras, e pediu que comentassem sobre os links que lhes enviou.
A reação foi favorável, embora ao menos uma participante tenha dito que não sabia bem o que estava vendo, perguntando se “o site se destina a responder perguntas de mulheres sobre a indústria automobilística”.
Steve Krug, autor de um guia sobre facilidade de uso na Internet, diz que uma idéia que parece ótima para um proprietário de empresa pode confundir um usuário que não conheça bem o site. Ele sugere que os proprietários de empresas assistam aos testes de seu site e que dediquem algumas horas por mês a eles.
É uma sensação que K. Rudolph conhece bem. Ela dirige a Native Intelligence, em Bethesda, Maryland, que fornece serviços de segurança na computação e cursos de treinamento para a segurança.
A empresa opera um site há uma década e participou de um grupo de discussão organizado por Krug em 2003. Durante sua apresentação, Rudolph exibiu imagens de seu site e perguntou se os participantes sabiam em que área sua empresa operava. A primeira pessoa a responder disse que as cores brilhantes e os desenhos significavam que o site fosse dirigido a crianças.
“Ver alguém usar seu site pela primeira vez pode ser uma experiência enriquecedora, mas também uma lição de humildade”, ela diz.
Rudolph e seu então sócio, Sam Carter, dedicaram três quartos de seu tempo nas duas semanas seguintes a reformular o site, em resposta a questões propostas por Krug, entre as quais “mas o que eu posso fazer nesse site?”.
Agora, Rudolph dedica algumas horas por mês para observar até três usuários em sucessão navegando pelo site e convida amigos e conhecidos a criticar o que vêem.
Brodsky, a proprietária do spa, disse que costumava preferir conquistar clientes pela oferta de novos serviços ou produtos. Mas Stevens, o universitário que estava criando uma empresa de design para a Internet, convenceu-a de que uma presença versátil na Internet também era crucial. Stevens criou dois sites semelhantes. O www.thebodyklinic.com fornece o telefone do spa e um resumo dos diversos serviços que ele oferece. O site gerou alta de 10% no faturamento desde que Brodsky o reformulou pela última vez, em outubro.
O www.thebodyklinic.net não é exatamente uma cópia e oferece um telefone de discagem gratuita, cujo objetivo é identificar as chamadas. Stevens e Brodsky concordaram em que ele receberia pelo número de visitantes dos sites, e o telefone a ajuda a determinar o volume de negócio gerado pela Internet.
O orçamento dela para a Internet cresceu para cerca de US$ 1 mil ao mês, disse Brodsky, mas o faturamento bruto do spa subiu entre US$ 8 mil e US$ 10 mil por semana, ante US$ 7 mil nos anos anteriores.
Stevens suspendeu seus estudos na Escola Wharton de Administração de Empresas, da Universidade da Pensilvânia. Sua empresa, que agora se chama Yodle, obteve investimento de um grupo de capital para empreendimentos e se expandiu de Filadélfia para 17 outras cidades.
Fonte: NYT, Tradução: Terra