Recebo vários emails solicitando o caminho das pedras em projetos de website. Vou apresentar nesse post uma lista com os 10 erros mais comuns nos projetos e que geram trabalho em excesso e/ou uma remuneração baixa… Além, é claro, de não garantir o sucesso do projeto, levando-o ao ostracismo.
Não mostrarei o caminho, mas mostrarei as principais pedras para que você possa traçar seu próprio caminho, desviando delas:
1. Não trabalhe por empreitada, trabalhe por Estimativa de Horas:
Esse é o principal erro quando se começa um projeto de website. O cliente solicita o projeto, passa o briefing e pede um orçamento. Até aí o processo é normal, mas muitos desenvolvedores passam o orçamento com preço por empreitada, ou seja, para entregar o projeto final.
Com essa filosofia de trabalho, você permite que esse projeto tenha alterações infinitas, pois foi vendido no orçamento um website e enquanto o cliente não achar que o projeto está bom, ele ficará alterando o mesmo. Você trabalhará muito e receberá pouco.
Venda a estimativa de horas, isso garante que se o cliente fugir do cronograma apresentado junto com o orçamento, terá que pagar pelas horas de trabalho excedidas no projeto.
2. Não apresentar cronograma para o cliente:
Junto ao orçamento você deve encaminhar um cronograma que descreverá todas as etapas e prazos a serem cumpridos por ambas as partes (a sua e a do cliente), pois o cliente deve ter comprometimento com o trabalho que está sendo realizado. Nunca deixe seu cliente enviar material para você a hora que ele bem entender, ou tiver tempo. Essa atitude do cliente faz com que o prazo estipulado para desenvolvimento do projeto se estenda demais, gerando prejuízo para o desenvolvedor.
3. “Quero meu website igual ao do meu concorrente!”:
Fuja dessa frase como o Diabo foge da cruz, tente contornar a situação argumentando com o cliente que nem sempre o contexto e/ou idéia utilizados no projeto do concorrente podem ser pertinentes aos do seu cliente. E que a experiência que ele teve no website do concorrente pode não satisfazer as necessidades dos seus possíveis clientes. Quando se copia o website de um concorrente para seu cliente, você está copiando também os erros cometidos pelo concorrente, pois quem garante que ele acertou?! Algumas vezes o website do concorrente pode não ter sido desenvolvido por profissinais qualificados, ou seja, pelo famosos “sobrinhos”.
4. Não invente a roda:
A roda já existe, então aperfeiçoá-la é a melhor opção. Geralmente alguns clientes solicitam navegações, diagramações e arquitetura da informações absurdas, a ponto de mudarem o fluxo de utilização de determinadas ferramentas e a hierarquia das informações. Existem convenções que foram adotadas para certas aplicações na internet, pois os usuários já estão acostumados com elas, algumas delas são: sistema de login, orçamento, faq, carrinho de compras, etc. Se o cliente solicitar um sistema de login diferente da convenção adotada na internet, ele poderá não ter o sucesso desejado no projeto por dificultar a utilização do mesmo pelos usuários, pois se a função do sistema é apenas uma, porque fazer diferente do que já é utilizado em larga escala em outros projetos?
5. Meu cliente quer um website institucional, mas que seja parecido com o do Terra, Uol, G1, etc:
Um dos maiores erros que os clientes cometem por falta de consultoria dos desenvolvedores é querer colocar um link de cada notícia, artigo, produto, foto, evento, etc. na página inicial. Com a mentalidade que algum desses links possa interessar ao usuário e que isso gere navegação. Isso nunca acontecerá, pois os usuários acessam os websites pelos buscadores, com isso, raramente a sua página inicial será acessada através das pesquisas em buscadores, pois eles geralmente levarão seus usuários às páginas internas do website.
Entenda a página inicial do website como o hall de entrada da sua empresa na internet, colocar vários links como alguns clientes desejam é dar um tiro no próprio pé. Imagine um cliente entrando numa empresa física e deparando com um hall que possui mais de 20 portas. Em qual delas o usuário deve entrar para acessar o conteúdo desejado? Com certeza ele se sentirá perdido, sem orientação, e com apenas 2 cliques no navegador ele conseguirá ir para outro website. O usuário pode passar 2 horas no Google procurando um website que tenha o que ele deseja, mas não passará 10% desse tempo (12 minutos) procurando esse conteúdo dentro do seu website.
6. O cliente identifica um problema no website e passa a solução para ser desenvolvida:
Isso acontece muito! Se o cliente identificar um problema e/ou deficiência no website, ele deve apenas comunicar ao desenvolvedor qual o problema, e não apresentar a solução que ele deseja.
Vejo muitos projetos interessantes na internet, mas que pecam em alguns aspectos, onde se percebe nitidamente que a solução dada para um determinado problema que surgiu no website não foi devidamente estudada, sendo apenas uma solução “emocional” do seu cliente.
Quem deve dar a solução é o desenvolvedor, essa solução deve vir acompanhada de uma defesa para explicar os motivos pelo qual se chegou a essa conclusão. Com isso pode-se evitar que o projeto seja desfigurado, gere outro problema e/ou deficiência. O cliente entende do negócio dele, quem entende de desenvolvimento para internet é o desenvolvedor.
Geralmente, os clientes não possuem informações de pesquisas, estudos relacionados e dados estatísticos do website e nem tão pouco sabem interpretá-los, só como um exemplo simples, o número de acessos do website não é a principal informação de um relatório estatístico, mas para os clientes esse é o principal dado estatístico de um website. Essa métrica não pode mais ser utilizada para medir a eficiência de um website, hoje em dia existem milhares de ROBOTs (motores de busca, acesso, spam, etc) que varrem a internet a todo instante, acessando websites, portanto esse pode ser considerado um dado viciado no relatório.
7. Meu site está no Google, basta digitar o nome da minha empresa:
Essa é clássica… Quando ofereço trabalhos de otimização de sites para clientes ou como prospecção geralmente recebo como resposta o título desse tópico.
Esse erro é gravíssimo, pois o cliente está sim no Google, mas não está corretamente indexado no buscador. Uma das partes mais importantes do algorítmo do Google é o nome do domínio, onde entra na pesquisa a relação: nome x tempo de existência. Se o nome do seu domínio é o mesmo da sua empresa o Google colocará seu website na primeira posição.
O correto de estar nas buscar do Google é ser encontrado pelo serviço que sua empresa presta e a região/cidade em que atual. Os usuários quando utilizam o Google não estão procurando por uma empresa específica, procuram por produtos em determinadas localidades.
Exemplos: propaganda ribeirão preto, marketing ribeirão preto, branding ribeirão preto, website ribeirão preto, software ribeirão preto, emarketing ribeirão preto. Nessas busca o website da Codeorama Software está sempre nas primeiras posições do resultado, sendo responsáveis por 34% de meus acessos. As pesquisas mostram que um usuário comum raramente precisa passar da primeira página para encontrar o que deseja (estamos falando de produto/serviço e não fotos e textos, estamos falando de negócios!).
8. Curso de escola de informática não forma WEBDESIGNER!:
Essa informação pode fazer você ficar com raiva de mim, me xingar e até me boicotar. Mas essa é uma relidade que dever ser encarada pelos profissionais de programação formados por escolas de informática.
Nos cursos de “webdesigner” oferecidos pelas escolas de informática são ensinados os programas para desenvolvimento de websites e linguagens de programação: DreamWeaver, Flash, Visual Studo, ASP, PHP, JavaScript, HTML, XHTML, CSS, etc. Não questiono que os profissionais de programação formados pelas escolas de informática não sejam bons, questiono apenas a deficiência nas disciplinas que envolvem o lado humano num projeto de internet, exatamente quem vai usufruir do que você desenvolver. Ele será humano, com certeza.
O curso de escolas de informática não possui disciplinas como: design, teoria das cores, ergonomia, arquitetura da informação, IHC (Interação Humano-Computador), usabilidade, comportamento, etc. Essas são disciplinas de quem estuda design, pois designer é um profissional que dá forma e função para objetos, interfaces, etc… Garantindo a facilidade de uso e a plástica perfeita. Isso pode ser um trauma para você, mas DESIGN não quer dizer DESENHO em outro idioma como muitos pensam.
Fazer design para internet requer mais conhecimento de humanas do que de exatas. Você está desenvolvendo algo para ser usado por alguém, e esse alguém não é você! Portanto é fundamental investir em conhecimento humano. Faz parte da profissão, encare de frente ou mude de ramo!
9. Vender a validação do código do website na W3C como foco principal do projeto:
Não quero dizer que seja errado usar o validador da W3C, apenas quero deixar claro que quando desenvolvo para internet meu foco é o USUÁRIO FINAL e não a W3C, pois ela é apenas um consórcio administrado por desenvolvedores que SUGEREM como o código deve ser escrito. Para o usuário final de um website o importante é o funcionamento e a estética do mesmo, e não o código estar 100% correto no validador da W3C, alguns nem fazem idéia que o consórcio existe e/ou para que servem aqueles botões “horríveis” que muitos desenvolvedores colocam no rodapé dos webstes.
Eu desenvolvo para usuários finais e não para a W3C, não deixo de usar o validador nos meus projetos para conferir se tem erros de programação. Apenas não o utilizo como diferencial na venda de websites para clientes e nem tão pouco atrapalho o funcionamento das ferramentas do website e/ou design porque um consórcio que nem sabe que eu existo fez determinada recomendação (e nem me consultou). Eu testo meus projetos em 4 navegadores (internet explorer, firefox, safari e opera) e corrijo os erros que aparecem neles, não me preocupo se o validador da W3C encontra um erro de que não é mais aconselhado o uso da tag <IFRAME>, se nos navegadores elas são aceitas eu uso, o dia que os navegadores abandonarem a tag eu paro de usar! Quem vai utilizar o website é o usuário com algum desses navegadores descritos acima, o usuário jamais vai acessar o seu website pelo website da W3C, pois ela não possui navegador e o validador apenas aponta para o que ela julga estar errado.
O foco é o usuário! O validador da W3C é apenas um robô que interpreta o código do seu website de acordo com as inúmeras regras SUGERIDAS pelos administradores do consórcio, que são programadores e desenvolvedores, nessa equipe não deve ter um designer ou publicitário, pois eles cada vez mais estão sugerindo “regras” que dificultam a execução do design no projeto, em favor da simplicidade nos códigos, se continuar a caminhar para essa direção voltaremos a ter websites parecidos com páginas de texto do Word. Não sou louco de falar isso, tente validar o site do Google, Microsoft, Youtube, Yahoo, etc. Veja que os websites funcionam perfeitamente, não apresentam erros nos navegadores e mesmo assim a W3C considera que eles possuem erros. Isso porque eles sabem que quem dá acesso no website é o usuário e não o validador da W3C, esses são websites que retornam páginas simples, faça o teste com websites 2.0, de serviços e com bastante funcionalidades.
10. Colocar banners PISCANDO no website para chamar atenção do usuário:
Essa prática é muito difundida entre os clientes, onde eles acham que quanto mais piscarem os banners, mais vai chamar a atenção do usuário. Ilusão pura, o usuário está cansado dessa apelação por tentar desviar a atenção do foco principal.
Para chamar a atenção do usuário num website não precisa desse artifício, na maioria das vezes esses banners são desenvolvidos dessa maneira porque o website está com o problema do tópico nº 5, com muitos links de opção na página o cliente vai desejar chamar a atenção para o conteúdo novo, alterado ou de extrema importância no momento. O ÚNICO recurso que eles conhecem é fazer piscar! Com isso o website dele vai ficar parecendo uma filial de LAS VEGAS! (“Viva! Las Vegas” – Elvis Presley). Lembra daqueles filmes que passam aquelas panorâmicas da cidade de Las Vegas à noite? Você consegue assimilar algumas das marcas e escritos nos luminosos? Não, porque confunde. E essa será a mesma sensação que o usuário do website terá, além de achar que o dono do website está em desespero para ter acessos, pois essa prática na internet pode ser comparada a um feirante, gritando incansavelmente para sua “clientela” na feira: OLHA O PEIXE!
Se é preciso fazer um banner piscar no website para chamar atenção, o problema não é do banner e sim do website que deve ter muitos links para serem acessados, muito conteúdo desnecessário, diagramação e usabilidade ruins.
Espero que com esse post você possa caminhar melhor na estrada da internet.
Podem comentar, podem copiar parcial e/ou totalmente o texto, só lembrem dos créditos.
Paulo Gomes, publicitário e desenvolvedor para web. Atualmente desenvolve o projeto do primeiro sistema operacional online brasileiro, o Codeorama OS. Vencedor de 3 prêmios de e-marketing (consecutivos), 1 de portfolio cd/dvd, 1 de identidade corporativa e 1 de talento criação no Festival de Áudio e Multimídia de Ribeirão Preto, realizado pela APP. Também possui prêmios internacionais de design e tem seu nome na galeria de trabalhos para referência à futuros desenvolvedores da ferramenta Flash no website da Adobe.