As empresas do mundo todo nunca estiveram tao preocupadas com o meio ambiente. Porém, ao invés de alegrar, isso preocupa os ambientalistas – eles acreditam que as marcas estao usando o posicionamento ‘verde’ como um gancho para agradar os consumidores sem, entretanto, abraçar medidas efetivas para salvar o planeta. Um exemplo disso seria o Earth Day, comemorado sempre no dia 22 de abril, desde 1970. Inicialmente criado para protestar contra as condutas poluidoras das grandes corporaçoes, o evento acabou se transformando numa data promocional patrocinada por essas mesmas empresas. De fato, fabricantes de produtos de toda a espécie, de batatas fritas a carroes, agora usam o 22 de abril para divulgar seus esforços ‘verdes’. Um exemplo é a Wal-Mart, que no passado era criticada por suas atitudes antiecológicas e hoje tenta ser reconhecida como uma empresa preocupada em vender produtos que economizam energia.
Mas os ativistas ambientais temem que essa badalaçao toda em torno do Earth Day dê às pessoas o falso sentimento de progresso, justamente quando o mundo mais precisa de açoes concretas. Em entrevista recente ao Wall Street Journal, Denis Hayes, coordenador do primeiro Earth Day, esclareceu sua preocupaçao dando o exemplo de um sujeito que dirige um utilitário super bebedor de combustível, mas usa bolsas recicláveis no supermercado e só compra leite orgânico – e acha que está fazendo a sua parte. Estudos mostram para reduzir de verdade as emissoes tóxicas, seria preciso que a populaçao mudasse radicalmente seus padroes de consumo, deixando de usar completamente os automóveis, por exemplo. O perigo, segundo os especialistas, é que as pessoas sintam-se felizes com pequenos gestos e deixem de refletir sobre as mudanças substanciais que precisamos promover.
Fonte: Marinho no Blue Bus